
10 de Setembro, 2016: O meu namorado ofereceu-me o meu primeiro livro do Pedro Chagas Freitas, Prometo Perder. O autor ia estar na Feira do Livro do Porto, no stand do El Corte Inglês, a dar autógrafos. Dele, só tinha lido algumas páginas de Prometo Falhar e mesmo assim sabia que era fã da sua escrita porque identifiquei-me de imediato com os poucos textos que li. Assim que o conheci percebi que tinha mesmo de ler as suas obras. Ainda não tive a oportunidade de conhecer muitos autores, mas quando o fizer espero que a experiência seja parecida com a que tive com o Pedro. É extremamente simpático e gosta de conversar com o leitor. Na hora de dar o autógrafo escreve algo que tenha a ver com a pessoa e eu achei isso maravilhoso.
Neste mesmo dia, quando cheguei a casa, decidi que tinha obrigatoriamente de o começar a ler. Assim o fiz. Li 40 páginas e desde cedo o achei incrível. Rapidamente o livro se encheu de frases sublinhadas e posts its. Mas o que está mal neste parágrafo? Obrigatoriamente. Agora que já o terminei percebo o erro. Este é daqueles livros que, na minha opinião, tem de se ler com calma para assimilar cada texto, cada palavra, cada mensagem. O leitor tem de estar disponível.
"Tentei, ao longo de toda a minha vida, fazer tudo para não errar.
E foi esse, sei-o agora, o meu maior, e único, erro."
Podem achar que sou maluca, mas a verdade é que neste dia senti que estava a precisar de ler textos do Pedro. Talvez porque me sentia mais em baixo, não sei. Não me perguntem porquê, mas precisava. Assim foi e não me arrependi. Não precisei de ler muito até chegar ao primeiro texto com o qual me identificava a 100%.
"Um dia vai deixar de haver amanhã. Um dia vais acordar
e já não podes acordar. É bom que acordes antes dessa dia."
15 de Julho, 2018: Terminei. E a primeira coisa que vos posso dizer é que me fez bem. Em "Prometo Perder" passamos por vários textos em forma de carta. Permite-nos refletir sobre os mais diversos sentimentos na voz de diferentes pessoas que estão a passar por situações distintas. Amor, amizade, comportamento humano, quotidiano, são alguns dos temas que vemos retratados. Basicamente: há para todos os gostos.
Só digo uma coisa: alguns dos textos pareciam literalmente escritos para mim. Aqui tive a confirmação que "é o livro a ler a pessoa, e não a pessoa a ler o livro" - palavras do próprio autor numa entrevista recente. Sublinhei provavelmente 70% do livro. Aliás, sublinhei tanto que até esgotei os posts its. Agora sei que não o posso emprestar a ninguém porque acho que ficariam a saber demasiado de mim. É como um diário.
Prova do que referi no parágrafo anterior: numa bela tarde, minutos antes de retomar a leitura, estava a falar com a minha mãe sobre humilhação. Quando voltei a pegar no livro, viro a página e deparo-me com a frase "Não existem humilhadores; só existem humilhados" e todo um parágrafo sobre isto. Juro que não estou a brincar. Foi obviamente uma coincidência, e das boas.
"O segredo da felicidade é saber escolher os pingos de
palavras que te molham. A tua vida define-se, em grande parte,
pelas palavras que escolhes dizer e pelas palavras que escolhes ouvir."
Gostei imenso deste livro. Identifiquei-me com muitas situações e sinto que me deu várias lições para melhorar como pessoa. Não vou dizer que gostei de todos os textos pois estaria a mentir. Muitos não me disseram absolutamente nada e outros queria que terminassem. Mas um dos pontos positivos desta obra é que os textos, na sua maioria, são pequenos. Isto ajuda a criar um bom ritmo de leitura e para além disso nunca ficar aborrecida mesmo quando não gostamos de algum texto.
"Prometo Perder" é um bom livro para refletir. Superou todas as minhas expectavivas e mal posso esperar por ler mais obras do Pedro Chagas Freitas.
"Discute com quem amas sempre que necessário - mas sempre com
cimento e cola e tijolos na mão: sempre para construir. Amar é construir.
O amor é levantado sobre a capacidade de discutir sem destruir.
Às vezes é difícil, terrivelmente difícil. Mas um amor que acaba
sem discussão não é um amor falhado; simplesmente não é um amor."




Eu não tenho 100% certeza, mas acho que li algures que ele ia estar a dar autógrafos na Feira do Livro do Porto
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