25/07/2018

DIÁRIO DE LEITURA: PROMETO PERDER DE PEDRO CHAGAS FREITAS

Decidi fazer algo diferente. Não trago uma opinião porque ainda hoje sinto que não consigo arranjar palavras suficientes para descrever este livro. Nesse sentido, aqui fica o meu diário de leitura de "Prometo Perder" do Pedro Chagas Freitas.

10 de Setembro, 2016: O meu namorado ofereceu-me o meu primeiro livro do Pedro Chagas Freitas, Prometo Perder. O autor ia estar na Feira do Livro do Porto, no stand do El Corte Inglês, a dar autógrafos. Dele, só tinha lido algumas páginas de Prometo Falhar e mesmo assim sabia que era fã da sua escrita porque identifiquei-me de imediato com os poucos textos que li. Assim que o conheci percebi que tinha mesmo de ler as suas obras. Ainda não tive a oportunidade de conhecer muitos autores, mas quando o fizer espero que a experiência seja parecida com a que tive com o Pedro. É extremamente simpático e gosta de conversar com o leitor. Na hora de dar o autógrafo escreve algo que tenha a ver com a pessoa e eu achei isso maravilhoso.

Neste mesmo dia, quando cheguei a casa, decidi que tinha obrigatoriamente de o começar a ler. Assim o fiz. Li 40 páginas e desde cedo o achei incrível. Rapidamente o livro se encheu de frases sublinhadas e posts its. Mas o que está mal neste parágrafo? Obrigatoriamente. Agora que já o terminei percebo o erro. Este é daqueles livros que, na minha opinião, tem de se ler com calma para assimilar cada texto, cada palavra, cada mensagem. O leitor tem de estar disponível.


"Tentei, ao longo de toda a minha vida, fazer tudo para não errar. 
E foi esse, sei-o agora, o meu maior, e único, erro."


08 de Julho, 2018: Parece rídiculo, eu sei, mas só voltei a pegar no livro aqui. Novos livros foram chegando, leituras atrás de leituras e lá ficou esquecido. Mas calma, por vezes há a ideia que quando "abandonamos" um livro é porque é mau, e neste caso posso-vos dizer que percebi que há momentos certos para ler determinados livros.

Podem achar que sou maluca, mas a verdade é que neste dia senti que estava a precisar de ler textos do Pedro. Talvez porque me sentia mais em baixo, não sei. Não me perguntem porquê, mas precisava. Assim foi e não me arrependi. Não precisei de ler muito até chegar ao primeiro texto com o qual me identificava a 100%.


"Um dia vai deixar de haver amanhã. Um dia vais acordar 
e já não podes acordar. É bom que acordes antes dessa dia."


15 de Julho, 2018: Terminei. E a primeira coisa que vos posso dizer é que me fez bem. Em "Prometo Perder" passamos por vários textos em forma de carta. Permite-nos refletir sobre os mais diversos sentimentos na voz de diferentes pessoas que estão a passar por situações distintas. Amor, amizade, comportamento humano, quotidiano, são alguns dos temas que vemos retratados. Basicamente: há para todos os gostos.

Só digo uma coisa: alguns dos textos pareciam literalmente escritos para mim. Aqui tive a confirmação que "é o livro a ler a pessoa, e não a pessoa a ler o livro" - palavras do próprio autor numa entrevista recente. Sublinhei provavelmente 70% do livro. Aliás, sublinhei tanto que até esgotei os posts its. Agora sei que não o posso emprestar a ninguém porque acho que ficariam a saber demasiado de mim. É como um diário.

Prova do que referi no parágrafo anterior: numa bela tarde, minutos antes de retomar a leitura, estava a falar com a minha mãe sobre humilhação. Quando voltei a pegar no livro, viro a página e deparo-me com a frase "Não existem humilhadores; só existem humilhados" e todo um parágrafo sobre isto. Juro que não estou a brincar. Foi obviamente uma coincidência, e das boas.


"O segredo da felicidade é saber escolher os pingos de 
palavras que te molham. A tua vida define-se, em grande parte, 
pelas palavras que escolhes dizer e pelas palavras que escolhes ouvir."


Gostei imenso deste livro. Identifiquei-me com muitas situações e sinto que me deu várias lições para melhorar como pessoa. Não vou dizer que gostei de todos os textos pois estaria a mentir. Muitos não me disseram absolutamente nada e outros queria que terminassem. Mas um dos pontos positivos desta obra é que os textos, na sua maioria, são pequenos. Isto ajuda a criar um bom ritmo de leitura e para além disso nunca ficar aborrecida mesmo quando não gostamos de algum texto.

"Prometo Perder" é um bom livro para refletir. Superou todas as minhas expectavivas e mal posso esperar por ler mais obras do Pedro Chagas Freitas.


"Discute com quem amas sempre que necessário - mas sempre com 
cimento e cola e tijolos na mão: sempre para construir. Amar é construir. 
O amor é levantado sobre a capacidade de discutir sem destruir. 
Às vezes é difícil, terrivelmente difícil. Mas um amor que acaba
 sem discussão não é um amor falhado; simplesmente não é um amor."



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1 comentário:

  1. Eu não tenho 100% certeza, mas acho que li algures que ele ia estar a dar autógrafos na Feira do Livro do Porto

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